O Zero-Knowledge, da promessa à prova.
O módulo estrela disse a você por quê. Este mostra como — e por que, sem uma única equação, a promessa se sustenta matematicamente. Só as ideias certas, para nunca mais acreditar na palavra de ninguém.
Por que seus dados financeiros valem tanto
Seus extratos não dizem só quanto você ganha. Eles revelam onde você mora, sua saúde (uma farmácia, um especialista), suas convicções (uma doação, uma assinatura), suas fragilidades (um vermelho recorrente, um empréstimo). Nenhum outro dado é tão íntimo quanto o rastro do seu dinheiro — e é exatamente por isso que ele se revende tão bem.
O modelo dominante dos aplicativos de finanças se apoia nesse ouro: agregar suas contas, traçar um perfil, monetizá-lo. A confidencialidade ali não é um direito, é um obstáculo a contornar. O Ozorys parte do exato oposto: já que esses dados são preciosos demais para serem expostos, eles nunca serão — nem mesmo para nós.
Um histórico bancário basta para deduzir um estado de saúde, uma orientação, uma situação familiar, uma queda de renda. Confiar isso a um terceiro que vive disso é entregar a ele o retrato mais fiel da sua vida.
Do seu código a uma chave inquebrável
Tudo começa pelo seu código secreto. O Ozorys nunca o armazena: usa-o para forjar uma chave, repetindo um cálculo 600 000 vezes (é a derivação PBKDF2). Esse número não é decorativo — ele torna cada tentativa de adivinhação tão lenta que atacar seu cofre por força bruta ficaria proibitivo, mesmo para uma máquina dedicada.
Mude um único caractere do seu código e a chave obtida não tem mais nenhuma relação com a anterior. É o efeito avalanche: nenhuma proximidade, nenhuma pista. A demonstração abaixo torna isso visível — digite um código de teste e depois mude um dígito.
O selo AES-256-GCM
Uma vez forjada a chave, cada dado — um valor, uma categoria, uma nota — é selado em AES-256-GCM, o padrão que os Estados e os bancos usam. O «GCM» acrescenta uma assinatura: se um único byte do bloco criptografado fosse alterado, o Ozorys detectaria e se recusaria a confiar em dados adulterados. A cifra protege a confidencialidade; a assinatura protege a integridade.
O que sobe para a nuvem, para sincronizar seus dispositivos, é portanto só esse bloco selado — um ruído sem chave. O módulo estrela mostrou a você a cara dele: ilegível e totalmente diferente à menor mudança.
Criptografia (AES-256): seus dados continuam secretos. Autenticação (GCM): seus dados continuam intactos. Sem sua chave, é impossível ler — e impossível modificar sem ser desmascarado.
A prova é a nossa impotência
Eis o teste decisivo de todo sistema «Zero-Knowledge»: o que acontece se você perder seu código? No Ozorys, a resposta é brutal e tranquilizadora ao mesmo tempo — ninguém, nem mesmo nossa equipe, pode restaurar seus dados. Se pudéssemos, é porque teríamos uma cópia da sua chave; e se a tivéssemos, a promessa seria mentira.
Nossa impotência é, portanto, a prova. Ela vale também diante de um ataque aos nossos servidores (ele só encontraria ruído) e diante de uma requisição judicial (não podemos entregar o que não temos). A contrapartida você já conhece: guarde a chave. O próximo módulo dedica a isso uma rede inteira.
Vamos ver se pegou
Seis perguntas, correção imediata. Suas respostas nunca saem desta página.
1. Por que seus dados financeiros valem tanto para um terceiro?
O rastro do seu dinheiro é o dado mais íntimo que existe — daí seu valor no mercado de dados. O Ozorys se recusa a expô-lo.
2. Para que servem as 600 000 iterações (PBKDF2)?
Uma derivação lenta torna o ataque de força bruta proibitivo. A chave é forjada no seu dispositivo, nunca transmitida.
3. Você muda um único caractere do seu código. A chave obtida…
O efeito avalanche apaga toda proximidade: nenhuma pista liga duas chaves vizinhas.
4. O que o «GCM» do AES-256-GCM garante, além do sigilo?
Duas trancas: o AES cifra (confidencialidade), o GCM assina (integridade). Impossível ler, impossível modificar sem ser desmascarado.
5. O que viaja para a nuvem na sincronização é…
O servidor só armazena ruído. Sem a chave — que não temos — nada é legível.
6. Por que a impossibilidade de restaurar seus dados é uma boa notícia?
Poder restaurar suporia uma cópia da chave — logo, uma mentira. Nossa impotência é a prova de que o sistema cumpre o que promete.
O desafio do dia
Abra a demonstração acima, forje uma chave com «1234» e depois com «1235». Veja duas chaves vizinhas ficarem totalmente estranhas uma à outra. Você tem, em um gesto, a intuição que protege todo o seu cofre.